Bruna Padin é a mais nova integrante do nosso time e, junto de Márcia Lembo, é responsável pelo atendimento de felinos aqui no Centro de Saúde Animal Jardins. A profissional possui especialização e mestrado em medicina felina e atua há cinco anos na área. Na entrevista a seguir, ela fala mais sobre o tema e orienta os tutores de bichanos. Confira!

 

Medicina felina é um campo da medicina veterinária apenas dedicado a gatos? Se sim, por que ter uma especialidade apenas para os bichanos?

Sim, a medicina felina é uma área dedicada apenas à clínica de gatos e surgiu pela necessidade específica que esses animais possuem dentro da medicina veterinária. Antigamente, os gatos eram tratados como cachorros de pequeno porte. Eram administrados os mesmos tratamentos, medicações e doses. Tudo o que era feito no cão, era feito no gato. Mas, na verdade, são espécies completamente diferentes que devem ser tratadas de formas diferentes.

Muitas das medicações que são utilizadas nos cachorros podem ser tóxicas para os gatos. Os cães apresentam doenças diferentes das que atingem os felinos. Não é a mesma coisa atender as duas espécies. Diante desse cenário, surgiu a necessidade de um especialista que entenda o gato e suas particularidades. Além disso, lidar com gatos demanda um atendimento diferenciado, no manejo, na forma de coletar sangue, de segurar e até de falar.

 

Qual a importância da medicina felina?

É importante por proporcionar um atendimento direcionado as necessidades particulares da espécie. Diante disso, conseguimos ter em mãos um diagnóstico mais certeiro e um tratamento que vai minimizar os efeitos colaterais e a chances de intoxicação – comuns nos gatos. Além disso, entendendo o universo dos bichanos, é possível minimizar ao máximo o estresse deles durante uma consulta, proporcionando a todos (animais e tutores) um momento mais agradável.

 

Em relação aos cachorros, existem cuidados diferentes a serem tomados com os gatos?

Sim. É por isso que é tão importante conhecer as diferenças entre as espécies, que vão desde o cuidado em casa até o veterinário. Quanto orientamos um ‘tutor de primeira viagem’, passamos – principalmente – as seguintes recomendações: não levar para banho em pet shop, ingerir dieta úmida todos os dias (sachês) e incentivar o consumo de água.

 

Quais doenças devem preocupar os tutores de gatos?

Doenças virais, como a leucemia viral felina (FeLV) e imunodeficiência felina (FIV). São duas doenças que podem ser silenciosas, são facilmente transmitidas entre gatos e não possuem cura. É importante conhecer o status viral desses animais – positivo ou negativo –, para dar uma melhor condição de saúde e evitar que desenvolvam doença clínica, bem como extinguir as chances de transmissão. É preciso tomar cuidado na hora de adotar um segundo gatinho, consulte seu veterinário antes de misturar os dois animais.  

Existem algumas doenças que são relacionadas a estresse, como a cistite, e problemas renais que também merecem atenção – e podem ser prevenidos através do estímulo à ingestão de água.

 

Qual ou quais os tratamentos específicos para gatos o CSAJ possui?

Atendimento especializado junto com uma equipe multidisciplinar completa. Então, vai ter o especialista de felino junto com uma equipe de imagem, cirurgia, anestesia, entre outros. Tudo que o bichano precisar, ele vai encontrar em um só lugar.

 

A medicina felina abriga campos fora da saúde, como a educação dos felinos?

A medicina felina também abriga comportamento, que tem tudo a ver com a saúde. A partir do momento que conhecemos as necessidades do gato, é possível evitar doenças relacionadas ao estresse e problemas de relacionamento com outras espécies.

 

Como manter a rotina de cuidados de um gato?

  • Primeiras vacinas – devem ser repetidas anualmente.
  • Castração, no caso de fêmeas antes do primeiro cio.
  • Vermifugação semestral.
  • Alimentação de acordo com a idade – sempre incluir dieta úmida.
  • Estímulo a ingestão de água.
  • Consultas e check-ups anuais.

 

Por que você decidiu se especializar nessa área?

O amor pela espécie. Gosto de cães também, mas os gatos têm uma forma de cativar muito especial. Os gatos são mal compreendidos pela sociedade, até mesmo dentro da medicina veterinária. Eles passam por ariscos, difíceis de segurar e de coletar sangue. Mas acho que isso é por não saber fazer da melhor forma. Quando a gente entende de gatos, eles se tornam muito colaborativos.

Acredito que o fato deles terem doenças específicas, precisarem de tratamentos específicos e não poderem usar muitas medicações, me despertou a curiosidade em fazer o atendimento da espécie que eu tanto amo da melhor forma possível.